Tuesday, December 12, 2006

Acho bem interessante a investigação jurídica dos assuntos, mas me dá uma cansada quando se insiste e se escreve, e se pensa, e se faz congresso, e se mobiliza uma gente, mas não se chega a conclusão alguma.
Aborto de feto anencéfalo, por exemplo. Eu não chego no fim desse raciocínio, sem poder deixar de notar muita fragilidade nos argumentos, pra um lado e pra outro.
Tanto que todo artigo escrito sobre um tema desses é meio esquisito, meio defensivo. É um bafão, não é um artigo light. ehehehehhe
Mas na dúvida, eu permitiria e fazia deixar de ser crime, e tudo mais. E que o Estado não se meta na esfera privada das pessoas. A gente resolve aqui fora certas coisas ;)

Friday, December 08, 2006

Duas da cidade onde moro, de hoje:

A Ministra Elen Gracie, número 3 da sucessão presidencial da República, teve o carro roubado na linha vermelha ontem à noite. Fizeram sua Excelência descer do carro no meio da pista, trocaram uns tiros e tal.

Acho lamentável como acho lamentável todo tipo de maldade que uma pessoa bonita e tão elegante como a ministra sofra, gente tão bem arrumada não pode simplesmente ser largada ali entre uma favela e outra.

Ela, claro, sequer tocou no assunto durante a solenidade de hoje no Tribunal do Rio.

Cá entre nós, nem chega a ser uma vergonha - porque vergonha é quando nos pegam desprevenidos numa situação embaraçosa qualquer. Morar aqui já é sinônimo de grandiloqüência, bonitos cartões postais à vista da janela, agilidade pra se safar de bala perdida, conviver com miséria e luxo, ruas imundas, gente mal educada, turismo sexual e quetais. Mas... que mico, heim? barbaridade.

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Hoje de manhã eu estava chegando no Centro e vi aquela mini muvuca de pega ladrão!!! que já é parte do anedotário comum. Sem parar o trânsito, vi o infratorzinho correndo, vi a vítima correndo atrás, e vi uns sujeitos sacando as armas que carregavam na cintura (à paisana, claro, cadê os puliça nessas horas?) e imobilizando o sujeito, e dando umas exemplares porradas nele, com um pessoal que ia passando e descarregou ali a raiva acumulada ou o que quer que seja.

Não que eu seja a favor da justiça com as próprias mãos, o que é em si uma ameaça à estabilidade civil, mas eu entendo quem bateu e, se não chegou a matar, tá ótimo. Preso não vai, que leve umas porradas, em nome dos bons modos.

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E um vereador de nome absolutamente esquecível propôs um projeto de lei na Câmara Municipal impedindo a realização de festas do tipo rêive ou similares [sic] na cidade, porque são antros de tráfico de drogas [sic mesmo].

Sua Excelência, eleito por voto direto, portanto, portador de autorização nossa pra ter esse tipo de idéia brilhante, esqueceu de proibir festas de casamento. Afinal, casamento às vezes dá em divórcio, tristeza, briga. esqueceu também de proibir a gente de trabalhar, porque geralmente ficamos muito estressados, precisando até de um comprimido pra dormir, nos afastando do lazer e da família. esqueceu também de proibir festa junina, impenetrável antro de distribuição de quentão e outras coisas do diabo.

Dorme com uma dessas. Eu vou é à praia.
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carioca, advogado, solteiro.